Democracia nas redes sociais
ativismo moçambicano e as dimensões temporais da comunicação cibernética
DOI:
https://doi.org/10.4314/academicus.v4i1.2%20Palavras-chave:
Activismo digital, Facebook, MoçambiqueResumo
Este artigo analisa o ativismo digital em Moçambique, com ênfase na plataforma Facebook, investigando como práticas comunicativas em rede reconfiguram temporalidades da ação política e da cidadania em contextos de repressão e vigilância. Partindo de uma abordagem qualitativa, foram examinadas postagens públicas de coletivos ativistas moçambicanos ao longo de 2024, o que permitiu compreender de que modo as redes sociais funcionam como cronotopos de resistência e espaços de disputa. A pesquisa mobiliza os conceitos de temporalidade cibernética, performatividade digital e vigilância algorítmica para refletir sobre as formas pelas quais a sociedade civil ressignifica a democracia no fluxo acelerado das interações online. Os resultados apontam que o Facebook, ao mesmo tempo em que amplia a visibilidade das denúncias e fomenta práticas de engajamento político, é atravessado por dinâmicas de censura, apagamento e manipulação algorítmica que limitam sua potencialidade emancipadora. Identificou-se que a plataforma não se reduz a um espaço técnico de comunicação, mas constitui um campo sociopolítico onde se tensionam as fronteiras entre cotidiano e político, público e privado, visível e invisível. Conclui-se que, em Moçambique, o Facebook opera como ferramenta paradoxal: simultaneamente dispositivo de resistência e mecanismo de controle. Reconhecer essa ambivalência é fundamental para compreender os desafios contemporâneos da democracia digital em contextos marcados por restrições à liberdade de expressão e desigualdades no acesso às tecnologias de informação e comunicação.
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